Crónica de Guilherme d'Oliveira Martins
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| Créditos: Centro Nacional de Cultura / Helena Serra |
Acabamos de chegar a Nagasaki, vindos de Kobe. Ainda temos na retina as cores dos momeji, os vermelhos e amarelos do Outono de Quioto, a moderna arquitectura de Osaka, os princípios da cerimónia do chá – o respeito a tranquilidade, a pureza e harmonia -, a memória do príncipe Sholoku e a evocação do “Esplêndido Decreto” recordado em Nara, a antiga capital do império.
Se falo de todas estas lembranças, faço-o porque em Kobe recordámos com muita emoção a memória de Wenceslau de Morais, o português que amou o Japão, o escritor simbolista que fez da sua presença no país do sal nascente a força da sua palavra. Fomos ao museu municipal de Kobe entregar a placa onde se homenageia esse homem que assim se definiu: “Sou português. Nasci em Lisboa, estudei o curso de marinha e dediquei-me a oficial de marinha de guerra. Em tal qualidade fiz numerosas viagens. Em 1899, fui nomeado cônsul de Portugal em Kobe e Osaka…”
Morais escreveu: “Dai Nippon”, “Fernão Mendes Pinto e o Japão”, “Relance da alma japonesa” e “Culto do Chá”. A homenagem, nesse dia da São Francisco de Xavier, prolongou-se no parque da cidade junto à estátua do escritor e diplomata e foi marcada pela visita a mais dois fantásticos biombos Namban (José Tolentino Mendonça já nos falou de uma experiência semelhante em Osaka), onde vemos a partida de Macau e a chegada da Nau do Trato ao Japão e notamos a admiração causada pelos portugueses (estranhos do Sul, os Namban) de narizes grandes, vestimentas bizarras e demonstrações de finambulismo dentro da Nau.
A cidade de Kobe acolhe-nos principescamente, cidade heróica que se reconstruiu magnificamente depois do terrível terramoto de 17 de Janeiro de 1995. A cidade está totalmente recuperada: prédios modernos, viadutos, estradas, jardins. Extraordinária limpeza e organização. Que exemplo!