por Renascença | terça-feira, 30 de novembro de 2010 • 22:11
Crónica de Guilherme d'Oliveira Martins
Quioto, de onde falo, onde se encontra a embaixada cultural do Centro Nacional de Cultura, foi antiga cidade imperial, qualidade que perdeu em 1868, depois de ter havido entre os séculos XVII e XIX uma partilha de influência com a cidade de Edo, hoje Tóquio, até à chamada restauração Meiji. A cidade de Quioto é marcada pelo rio Kamo e está situada entre três montanhas.
No bairro de Gion pudemos ver o desenho tradicional de uma cidade antiga. Hoje há muitos restaurantes tradicionais onde se toma a refeição como os japoneses fazem há séculos, sentados no chão e depois de terem deixado os sapatos à entrada.
Edifícios baixos e pequenos, em madeira, bem ordenados, assinalados por balões coloridos situados em ruas estreitas e limpas, é o que encontramos. A cidade moderna continua a ser requintada e plena de actividade.
Quando ontem amanheceu e vimos o sol radiante, a iluminar a cidade e as montanhas, percebemos a beleza extraordinária dos momiji. As árvores do Outono têm as folha vermelhas ou amarelas. Wenceslau de Moraes disse, por isso (e concordo), que "as espécies europeias não oferecem igual maravilha em colorido".
No Pavilhão de Prata (o Guinkakuji), no passeio dos filósofos, (ou caminho dos mestres para ser mais rigoroso na palavra) e no templo Zen de Nanzen-ji, sentimos que a lição "sê mestre da tua própria mente" é uma preocupação constante desta cultura do conhecimento e da compreensão. Se a tradição e a modernidade se encontram sempre, o certo é que a memória procura não fazer esquecer a responsabilidade presente para com os outros.
E o tempo tem uma importância especial. Vimo-lo na cerimónia do chá, no templo de Kodaiji. A preparação, a simbologia e os movimentos, tudo exige um forte domínio do gesto e da mente - em nome do respeito, da tranquilidade, da pureza e da harmonia...